Pós-Tragédia do Realengo

Grandeeee. Betânia, segue texto para seu blog, que deve se manter atualizado…  Afinal, já que você entrou na chuva da mídia, é pra se molhar! Apesar de você me confessar que desistiu da Arquitetura, acho que você tem tudo a ver com ela. E ela com você… Mas, não deixe de profissionalizar seu blog. Acredite na sua energia e criatividade, mas não brinque com a informação. Sugiro que o texto seja ilustrado pelos nomes das crianças assassinadas. Com admiração e provocação, Wolf

Pós-Tragédia do Realengo (in memoriam aos mártires da escola carioca).

Pra começo de conversa, uma provocação: até que ponto a Arquitetura poderá contribuir para uma escola mais segura depois da Tragédia do Realengo, no Rio?

Luiza Paula da Silveira, 14 anos
Karine Chagas de Oliveira, 14
Larissa dos Santos Atanázio, 13
Rafael Pereira da Silva, 14
Samira Pires Ribeiro, 13
Mariana Rocha de Souza, 12
Ana Carolina Pacheco da Silva, 13
Bianca Rocha Tavares, 13
Géssica Guedes Pereira, 15
Laryssa Silva Martins, 13
Milena dos Santos Nascimento, 14
Igor Moraes da Silva, 13

 Escola? Projetar uma escola sempre constituiu um programa bem-vindo e cobiçado pelos profissionais de Arquitetura. Apesar de todos os entraves burocráticos institucionais, regimentais etc., desde a criação do MEC- Ministério da Educação e Cultura. A propósito, você sabe o nome do atual ministro da Educação?

    Na condição de editor ou repórter da AU e free-lancer de outras revistas especializadas, registrei vários projetos arquitetônicos escolares exemplares. Entre os quais:

    A escola Bem-me-quer, de Paulo Sophia, cujo terreno e escola acabaram engolidos pela especulação imobiliária, o Colégio Metropolitano, de Mario Biselli, projeto selecionado num concurso fechado, em 88. Além da admirável escola Oswald de Andrade, de Anne Marie Sumner e Luis Espallargas.

Escola bem me quer

    E num registro, o clássico Instituto “Sedes sapientie”, de Rino Levi, primeiro edifício escolar paulista destinado à formação superior feminina, com soluções arquitetônicas instigantes, como as grades de pré-fabricados de concreto. A eles, acrescentaria o projeto Funad (um espaço pedagógico e sensorial para deficientes visuais), em João Pessoa, de Expedito de Arruda, além do “Projeto Sol”, implantado em Paulínia, no interior paulista, cujo espaço pedagógico desenvolvido pelo arq. Izaak Vaidergorn, propôs a interação entre alunos, professores e a comunidade local.

    Conforme adverte Izaak em seu depoimento no livro “Educação não-formal”, numa sociedade que privilegia questões funcionais, burocráticas (e econômicas), as “edificações escolares se parecem mais com hospitais ou prisões, com seus corredores sombrios e espaços fragmentados”. Edificações escolares que, segundo denuncia o apresentador Datena, são cercadas por traficantes de drogas, além de serem alvos, também, de atos de vandalismo, principalmente nas escolas da periferia das grandes cidades. Aliás, numa reportagem da TVGlobo, vimos muitas escolas do país em condições precárias de funcionamento, com telhados e paredes precários e, inclusive, a falta de carteiras.

    A partir, enfim, do episódio do Realengo, no Rio, que provocou grande comoção no país, comecei, na condição de repórter, a me indagar: o que a Arquitetura ou os arquitetos têm a ver com isso?

escola

Escola de Realengo, Rio

     A meu ver, muito!

 Mas, qual sua opinião sobre o tema, caro visitante do blog Gate04.com pilotado pela arretada Betânia?

      Ao acompanhar o noticiário, percebi, por exemplo, que muitos entrevistados sugeriram soluções militarizadas, como a instalação nas escolas de detectores de metal, cabine na entrada com policial armado, crachás de identificação dos alunos, catracas etc., mas ninguém se lembrou da Arquitetura ou dos arquitetos. Que, a meu ver, poderão contribuir com uma resposta mais humanista para a segurança de um edifício escolar.  A exemplo dos Ciep´s – Centros integrados de Educação Pública projetados nos anos 80 pelo mestre Niemeyer e Lelé.ciep¨s

Vejam: vocês observaram a imagem do prédio da escola divulgada in extremis pela mídia? O que se vê?  Esquadrias (portas e janelas) mal especificadas, com uma frágil entrada de acesso, sem outras opções para uma possível saída de emergência. Além disso, as salas de aula confinadas não ofereciam janelas de ventilação amplas que poderiam ser uma possível rota de fuga para as crianças ameaçadas.

   Crianças e adolescentes, por sinal, vítimas cada vez mais por outro tipo de violência escolar: o chamado bullying. (Bullying, vamos ficar atentos)

         A exemplo de outras demandas, como as guaritas de segurança em edifícios residenciais, a Arquitetura, com certeza, poderá contribuir, para qualificar a segurança dos espaços escolares, com pequenas soluções e propostas arquitetônicas. Entre as quais: acessos de entrada e saída mais amplos, janelas amplas em lugar de vitrôs e telas de proteção, saídas de emergência etc.

Realengo

Escola Municipal Tasso da Silveira e muita grade

     Com certeza, concordam Paulo Sophia e Biselli advertindo: “não podemos militarizar, porém, o espaço escolar, um dos espaços mais significativos da inclusão social, da discussão e do debate mais democráticos de nosso país”. Realista, Biselli lamenta, contudo: ”bem, nós, arquitetos, na verdade, só conseguimos ir até certo ponto”.

    Assim, com certeza, não serão espaços escolares fortificados ou blindados, admitem pedagogos e educadores, que solucionarão o problema da violência nas escolas de um país, que ainda registra altos índices de analfabetismo ortográfico e gramatical, em plena era digital.

A mudança do foco do programa educacional competitivo passa, sem dúvida, por uma proposta educacional dialógica e solidária de interação e diálogo entre alunos, professores e a comunidade.

Tragedia do realengo

Grades da Escola do Realengo

     Chegou, enfim, a hora, de se repensaro modelo e o tipo de instalação escolar brasileiros!. Amanhã, enfim, conforme deseja a música “Beautiful Day”, do U2, poderá ser um e belo e novo dia. Se nos unirmos em prol de uma sociedade mais solidária.

 Jornalista José Wolf  e Arqª Betânia Sampaio


Sobre gate4

Prepare-se para uma Super Viagem! GATE 4 - Betânia, Patricia, Leo e Você. Cada um, em um lugar, cada um, com um olhar... São Paulo-BRASIL, Barcelona-ESPANHA, San Francisco-ESTADOS UNIDOS E Você ONDE ESTÁ? , Vamos juntos. Vamos amar sua companhia.
Esse post foi publicado em 2.BETÂNIA SAMPAIO,SP, 5.CONVIDADO ESPECIAL, Arquitetura, Reflexões-Poesia e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Pós-Tragédia do Realengo

  1. gate4 disse:

    Wolf e Betânia,

    Parabéns pelo texto, por fazer as cabeças pensarem, por deixar sempre viva a arquitetura, onde o papel dela é real, tudo muda, a dança náo é só de cadeiras, valores, erros ou acertos, as crianças, adolescentes de um século onde se pode compra tudo via net náo é o mesmo da garotada da bodega da esquina.
    Militarizar os faz ainda menos estudantes e mais milicias de um lado ou de outro, no final pouco importa….triste capítulo que ao meu ver deveria ser discutido também nos encontros de pais e mestres das escolinhas de luxo, das privadas , das do tipo que sempre estudei… pois o resultado de REALENGO é um problema da educaçáo de todos, amanhá esses adultos sobreviventes da tragédia, vítmas e vilóes ao mesmo tempo estaráo sendo companheiros, provavelmente empregados dos filhos que tiveram a sorte de ir a um colégio mais caro…mas, estaráo lá todos juntos na grande ESCOLA DA VIDA.

    felicidades mais uma vez!!!

    p.s…fazia tempo que náo lia a expressáo arretada…..achei engraçado…você a usa?

    Patrícia Cassemiro

  2. Gênova disse:

    A Escola tem que trabalhaunidos com os pais por mais que trabalherm á atençaõ deve ser redobrada a nossas crianças. Dentro e fora da escola.
    Ex-aluno: já esta dizendo.
    Meu filho do coração estuda em uma escola da prefeitura aqui em João Pessoa; nem pai, nem mãe pode entrar para ver a criança ou tirá-la da ecola em horário das aulas, se via entrar para falar com diretor(a) é uma burocracia.
    A seguraça de construções de escolas devem ser mudadas para melhor

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