Terceira idade pede PASSAGEM

Aos arquitetos sexagenários,  jovens de espírito, com louvor

Celebrado por tantas décadas como o país mais jovem do mundo, o Brasil envelheceu. Segundo dados do Censo do IBGE de 2010 divulgados pela mídia o número de idosos já supera o de crianças com até quatro anos no país.

Ou seja, cerca de 20 milhões de pessoas, numa população de mais de 190 milhões de habitantes, têm cerca de 60, 70  anos ou mais, ampliando a faixa etária da chamada terceira idade.

Faixa enriquecida por arquitetos-ícones e críticos, como Gasperini, Miguel Pereira, Carlos Bratke, Paulo Mendes da Rocha, Ruy Ohtake, Alberto Xavier, Sérgio Teperman, Zanettini, Alberto Botti (SP),  Assis Reis, João Figueiras Lima (BA), Paulo Conde (RJ) , Milton Monte (PA), Severiano Porto (AM), Mario Di Lascio (PB), Carlos Fernando Pontual (PE), Paulo Zimbres (DF), Jaime Lerner e Joel  Ramalho (PR).   

   Além, é claro, do jovem ancião Oscar Niemeyer. Que chegaram, conforme celebraria o poema “Vida obscura¨, do poeta  Cruz e Souza,  ao topo do saber. Muitos desses mestres da terceira idade, por sinal foram ou são  professores de alunos que integram a chamada geração digital twitter.

Terceira idade? Segundo alguns, a que começa aos 50 anos, para outros, aos 60.  De qualquer forma, a exemplo de outros intelectuais, o cantor Caetano Veloso, autor da música sobre o apolíneo “Menino do Rio” confessou numa entrevista à revista “Caros Amigos”:  envelhecer   “é uma merda”, num país com tantos  preconceitos discriminadores camuflados contra negros, gays, cadeirantes, portadores de deficiência física, obesos, nordestinos, autistas e idosos, vítimas de uma espécie de racismo etário etc.. E até contra crianças vítimas do famoso bullying.

O resultado da pesquisa impõe, sem dúvida, aos arquitetos e urbanistas um novo enfoque quanto ao ofício do fazer arquitetônico e, inclusive, em relação aos projetos urbanísticos.

Pra começar, prestem atenção na condição das calçadas esburacadas e desníveis irregulares de muitas cidades, objeto do mobiliário urbano e, também, da principal reclamação dos idosos. Calçadas invadidas por camelôs e pelo lixo, que dificultam a mobilidade e circulação de idosos e portadores de deficiência física, além das escadas íngremes, sem rampas, dos edifícios públicos majestosos, incluindo muitos prédios residenciais de grife, objeto da desenfreada especulação imobiliária.

O arq. paraibano Gilberto Guedes, por exemplo, reconhece, com humildade: nunca havia levado em conta  esse problema até que um dia quebrei o pé. E, a partir daí, comecei a mudar meu viés projetual!

Alberto Xavier professor da escola Belas Artes, em São Paulo, confessa que a partir dos 70 anos, começou a enfrentar pela idade problemas com a direção da escola. Mas, com humor e ironia, sugere: – Wolf, que tal pensarmos na Quarta idade?

Até o instigante Peter Eisenman, ao passar por São Paulo, nos anos 90, revelou numa palestra que, ao chegar aos 60, decidiu mudar tudo: casa, companheira e, até, a linguagem arquitetônica, investindo no deconstrutivismo. Ou seja: destruir para reconstruir.

Um tema, enfim, em pauta, que faz parte do chamado “desenho universal”, da acessibilidade e da sustentabilidade humana, cujos adeptos defendem um novo enfoque projetual para a terceira idade.

Que implica, segundo analistas, uma espécie de “cesta básica”, com algumas  soluções e propostas mínimas ergonomicamente corretas, entre as quais:

–        Barreiras arquitetônicas: em lugar de escadas, rampas. A exemplo de projetos referenciais elaborados pelo arq. Acácio Gil Borsoi, como a residência Cassiano Ribeiro, em João Pessoa. Ou do edifício Louveira, de Vilanova Artigas, em São Paulo, com blocos conectados por rampas;

–        Circulação residencial: quanto mais livre de móveis pesados tipo “Casas Bahia”, melhor;

–        Pisos: atenção aos pisos, principalmente dos banheiros, que devem ser antiderrapantes e focos. Espaço onde, segundo estatística costuma acontecer o maior número de acidentes e quedas e fraturas de idosos. Além disso, devem-se evitar pisos e paredes super coloridos, que podem ofuscar a frágil visão do idoso;

–        Barras de apoio, que devem ser instaladas, de preferência, nos boxes dos banheiros e, também, ao lado do vaso sanitário, que deve ser elevado;

–        Recomendação- O idoso deve contar sempre a seu alcance com uma lanterna, para orientá-lo nas idas noturnas ao banheiro;

–        Portas: com vão mínimo de 80 cm;

–        Fechaduras: em lugar de alavancas, maçanetas mais fáceis de manusear;

–        Paisagismo: se houver algum jardim doméstico, recomenda-se evitar plantas rasteiras, nas quais o idoso poderá se enroscar e tropeçar;

–        Acessibilidade: propor, na entrada e acesso dos edifícios, rampas, rebaixamentos e corrimões, capazes de facilitar a circulação e mobilidade de idosos e cadeirantes;

–        Mobiliário: quanto ao mobiliário, recomendam-se evitar móveis, como mesas, com quinas pontiagudas, que poderão ferir idosos e, inclusive, crianças; E investir em cadeiras, camas e sofás ergométricos:

–        Decoração: evitar tapetes de feltro ou tecido nos quais o idoso poderá se escorregar, substituindo-os por tapetes aderentes de borracha ou carpete.

Desafios –  Em síntese, esse cenário demográfico sexagenário brasileiro abre para os designers e os profissionais da Arquitetura outros tipos de desafios projetuais que nem a celebrada Arquitetura Moderna Brasileira previu.

Além de desafiar a indústria nacional da construção e moveleira para investirem em novos nichos de componentes e materiais  capazes de atender às demandas e necessidades específicas desse emergente e promissor universo sexagenário, que pede passagem.

Em síntese, sexagenário, não se esqueça do conselho do eterno roqueiro Bob Dylan, do LP “Planet Waves”: forever young! Seja sempre jovem, apesar das rugas!

Jornalista José Wolf e Arqª Betânia Sampaio

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